
Mamãe!não chores mais!Vês eu dormia.Na minha sepultura branca e esguia.A sonhar com os anjos lá do além.O teu pranto acordou-me, e ele é tão triste,Que a minha alma de filho não resiste,E eis-me portanto a soluçar também.Mamãe, não chores mais! Estou contente,Pois sinto minha boca ainda quente,Do teu último beijo de ternura;E no meu corpo, que supões gelado.Há o calor do seu abraço dado,Todos os dias nesta sepultura.Estou muito bonito, estou florido.Por tuas mãos de fada e bem vestido,Qual se fôra a igreja a batizar;E neste lírio que entre as mãos seguro,Inda fulge o diamante puro,De uma lágrima tua a palpitar.O meu ouvido guarda, murmurante,O som melífluo, harmônico e distanteDa tua voz que tanto amor traduz; e sobre minhas pálpebras descidas,Podem-se ver tuas feições queridas, na solidão do meu olhar sem luz.Mamãe não chores mais!Aqui ao lado, o lugar do teu leito está guardado.Quando tua alma for morar com Deus.